terça-feira, 29 de junho de 2021

Não irei no encontro com o Viajante

Com a revelação da data e da possibilidade de se encontrar com o Homem do Colete, começaram a surgir inúmeras cobranças para que eu vá nesse encontro, como se fosse algo seguro e divertido, mas eu gostaria de ressaltar o perigo de uma atitude dessas. Entrar de penetra em um ponto de encontro com uma pessoa que desconheço em um lugar onde a mesma espera ver outra não me parece algo recomendável, e nem sabemos se vai ser útil para a investigação. Afinal, não tem como eu atualizar o blog se eu estiver morto. Se as últimas semanas provaram alguma coisa, é que é possível chegar mais perto das conclusões definitivas mesmo sem entrar em contato direto com o viajante.
Já temos hipóteses de que a influência dele na saúde das pessoas com quem ele entra em contato não é boa, então imagino já ter apontado dados e pontos suficientes para sustentar minha posição de não ir nesse encontro.

Não estou aberto a negociações. Não insistam.


-L. B. Wells

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Foto com Stephen Hawking

Vasculhei os documentos da mala mais uma vez. Encontrei uma grande evidência que comprova a ligação do Stephen Hawking com o Viajante do Tempo. Parece inacreditável de certa forma.

Aqui vai:


Uma fotografia do Hawking com o Homem do Colete. Não tinha nenhuma data atrás, muito menos quem a fotografou. Chequei os metadados da foto e busquei por algo similar online, uma fonte de adultério, mas nada apareceu - é legítima. Me parece quase impossível essa foto existir, mas pelo menos dá pra se ter uma noção da gravidade da situação. O fato de que esse Homem esteve conversando com um renomado físico e cosmólogo por sabe-se lá quanto tempo me intriga.

Ainda tenho muitas dúvidas, mas devo dizer que o rumo que o blog e as investigações têm tomado até agora está me deixando bem satisfeito. Sinto que uma hora poderemos finalmente revelar tudo sobre a identidade desse homem.

Faz mais de uma semana desde o sumiço do Sr. T. Ainda não consigo dizer o que diabos aconteceu com ele.


-L. B. Wells

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Carta para Stephen Hawking

 


Digitalizei a carta endereçada ao Stephen Hawking que veio na mala do Sr. T. É a mesma que aparece no vídeo, censurando as coordenadas para manter o sigilo do encontro por enquanto.

Sobre os demais trechos censurados, eles já estavam na carta quando o Sr. T me mostrou no nosso encontro. Não sei dizer se foi ele mesmo que censurou ou se a encontrou assim (e ele não responderia). Resolvi analisar alguns pontos censurados que me chamaram a atenção por minha conta.


Ponto n° 1 - Seria esse o nome completo do Viajante? A formatação da carta aponta para isso.

Ponto n° 2 - Possivelmente seu endereço; considerando o “Av”, ele mora em uma avenida.

Ponto n° 3 - O nome de uma cidade e, possivelmente, seu código postal. Até onde pesquisei, nem a avenida onde ele mora nem a cidade existe. Seria isso uma questão de tempo até que elas existam?


Ponto n° 4 - Sr. T me disse que essa carta chegou para o prédio da universidade de Cambridge em 2018, mas o real ano em que ela foi escrita está simplesmente borrado. Fora deduzir que ele provavelmente escreveu em algum lugar no futuro, não consigo pensar muito em outra possibilidade.


Ponto n° 5 - Julgando o resto da aspas, não me restam dúvidas de que o Viajante se refere a Festa que o Stephen Hawking organizou para Viajantes no Tempo. Por que censuraram a palavra “Time” (Tempo)?

Ponto n° 6 - Julgo que ele classificou a natureza da reunião aqui. Pode ser que ele esteja o convidando para uma reunião ao ar livre ou confidencial. O uso de “an” indica que a primeira letra da próxima palavra é uma vogal, no inglês.

Ponto n° 7 - Em tradução livre: “Ainda há (CENSURADO) que eu gostaria de discutir (...).” Pela palavra “are”, temos claramente uma ideia de que existe algo no plural que ele gostaria de discutir com o Hawking. Teorias? Ideias? Negócios?

Ponto n° 8 - Aqui, ele parece se referir a algo do Hawking que seria muito bem-vindo. Minha melhor aposta é que ele esteja se referindo a “ajuda”, mas não descarto “ideias” e "conselhos".

Confesso que ainda não tenho certeza sobre ir nesse encontro com o Viajante ou não. Atualizarei o blog assim que tiver novidades.


-L. B. Wells

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Resposta às acusações

Não esperava ter que comentar a respeito do assunto, muito menos responder as acusações que venho recebendo. Eu tinha expectativas grandes demais para a maturidade de alguns que acessam o blog, visto que estou sendo responsabilizado pelo sumiço do antigo colaborador Sr. T, porque eu “não cumpri com as exigências dele expondo seu rosto”. Parece que o Sr. T não era o único paranoico envolvido nessa investigação. Vocês querem dizer então que o viajante acessa o blog pra ver as notícias sobre ele? E que finalmente descobriu quem estava atrás dele, e então desapareceu com ele? O nível de debate esperado nesse blog é muito maior do que o que vocês estão apresentando. Eu não tive absolutamente nada a ver com a ausência do Sr. T. Volto a dizer que ele provavelmente deve estar magoadinho, e caso alguém também esteja, use nosso “amigo” de exemplo.

-L. B. Wells

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Sumiço do Sr. T

Depois de várias tentativas de entrar em contato com o Sr. T, desisto de me comunicar com ele. Desde o dia em que ele me enviou vários e-mails reclamando e me xingando por expor mais do que devia, nunca mais recebi nada dele. Provavelmente meu melhor informante ficou ofendido com a minha “falta de educação”. Pelo menos já tenho acesso ao mais importante, e agora ele não está mais enchendo meu saco. A paranoia dele é irrelevante para a minha investigação, e se ele coloca o próprio orgulho acima disso, não é mais problema meu.

-L. B. Wells

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Pintura Medieval


A ilustração acima acompanha o conto medieval. É possível ver os três sábios abaixo e o viajante, com seu colete azul e aparelho luminoso, acima. Eu acho que algum artista da época desenhou apenas a partir do que leu no conto, não da boca dos três sábios - a roupa do viajante está muito mais próxima de um figurino da época. Interessante ver essa interpretação da aparência do viajante em uma cultura tão distante e com suas características próprias.

Mas não há dúvidas de que se trata do mesmo personagem, a “legenda” da pintura confirma que é uma ilustração do conto.

O problema é que o Sr. T não me disse exatamente qual é a conexão entre os dois documentos – o desenho fazia parte do mesmo livro de parábolas ou foi feito depois? Se foram feitos separadamente, de onde saiu essa pintura? Outra versão do mesmo livro? Ele ainda não respondeu meus e-mails, estou no aguardo.


-L. B. Wells

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Documento Medieval do Século VI

A partir daqui, vou começar a analisar alguns dos documentos que o Sr. T me entregou na entrevista. Esse conto medieval é, depois da pintura na Caverna de Lascaux, a evidência mais antiga da existência do viajante no tempo. O nosso viajante do tempo, diga-se de passagem. É surpreendente como as características que temos como certas aparecem aqui - a roupa azul, o aparelho luminoso.

O texto está em latim, data aproximadamente do século VI depois de Cristo. Pedi para um amigo traduzir, e reproduzo aqui a íntegra do texto em português, além do conto escaneado.

Como o Sr. T disse no vídeo, é uma espécie de parábola, e pelo que entendi fazia parte de um compilado de contos maior, quem sabe com os três sábios de protagonistas.


Do encontro com um homem místico

Mais de duzentos anos atrás, os mesmos três homens abençoados encontraram um estranho na beira da estrada. Ele vestia uma túnica azul e carregava um estranho graveto com uma esfera luminosa na ponta, como um olho de anjo. Os três homens abençoados não tinham muita comida. Mesmo assim, o líder ofereceu comida ao homem misterioso.Os dois outros homens virtuosos se impressionaram com a atitude do líder para com o estranho. Ambos eram céticos quanto a aparência exótica do viajante.

Depois do jantar, o guia dos sábios perguntou ao convidado de onde ele era e o que fazia tão longe de qualquer estabelecimento. O viajante respondeu que estava em busca de conhecimento, contou que vinha de terras e tempos distantes.

Um dos homens abençoados riu do viajante, chamou-o de louco. O outro homem abençoado amaldiçoou o viajante, chamou-o de herege por seus alegados poderes e por sua ignorância do verdadeiro conhecimento, que chega aos mortais apenas por meio de Deus através dos escribas.

O líder, porém, permaneceu sereno. Ele não caçoou o amaldiçoou o homem misterioso. Ao invés disso, respondeu com paciência todas as perguntas que o viajante fez.

Respondeu sobre o monastério, sobre a vida nas comunas e nos pequenos burgos. Por fim, falou sobre a arquitetura das catedrais e sobre a crença dos homens em Cristo.

O viajante misterioso escutou tudo com atenção, para a surpresa de todos ali. Depois, despediu-se cordialmente e seguiu seu caminho em direção ao norte.

O líder então disse aos dois outros homens abençoados:

“Não vale a pena caçoar ou maldizer o estrangeiro. Ao conhecerem alguém, mantenham o coração humilde. Só é possível ensinar quando se escuta. Não sabemos de onde ele vem ou no que ele crê, mas se carregamos conosco a verdade, tenhamos confiança o suficiente para ficarmos serenos e assim plantar a semente da esperança no coração do outro’’

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Temos o registro escrito mais antigo do viajante - mais uma vez é uma prova que vai além da possibilidade de mera coincidência. O termo viagem no tempo nunca aparece em literatura medieval, o que leva a crer que isso é um caso único. Para mim, o mais interessante é que o viajante parece estar lá na Idade Média a motivo de pesquisa: ele questiona os sábios sobre o estilo de vida do local. É a primeira vez que é possível inferir sobre os motivos dele…

Mesmo assim, ainda é uma das evidências mais misteriosas até agora. Acho que preciso de mais informações sobre esse documento medieval. Como exatamente o Sr. T conseguiu? Onde posso começar a procurar mais pistas desse calibre? Vou mandar um email para ele pedindo mais conversas sobre isso.

Com o tempo, chegarei na carta do Hawking. No próximo post vou analisar uma pintura medieval que ilustra esse mesmo conto. Obrigado pela paciência.


-L. B. Wells