quinta-feira, 3 de junho de 2021

Documento Medieval do Século VI

A partir daqui, vou começar a analisar alguns dos documentos que o Sr. T me entregou na entrevista. Esse conto medieval é, depois da pintura na Caverna de Lascaux, a evidência mais antiga da existência do viajante no tempo. O nosso viajante do tempo, diga-se de passagem. É surpreendente como as características que temos como certas aparecem aqui - a roupa azul, o aparelho luminoso.

O texto está em latim, data aproximadamente do século VI depois de Cristo. Pedi para um amigo traduzir, e reproduzo aqui a íntegra do texto em português, além do conto escaneado.

Como o Sr. T disse no vídeo, é uma espécie de parábola, e pelo que entendi fazia parte de um compilado de contos maior, quem sabe com os três sábios de protagonistas.


Do encontro com um homem místico

Mais de duzentos anos atrás, os mesmos três homens abençoados encontraram um estranho na beira da estrada. Ele vestia uma túnica azul e carregava um estranho graveto com uma esfera luminosa na ponta, como um olho de anjo. Os três homens abençoados não tinham muita comida. Mesmo assim, o líder ofereceu comida ao homem misterioso.Os dois outros homens virtuosos se impressionaram com a atitude do líder para com o estranho. Ambos eram céticos quanto a aparência exótica do viajante.

Depois do jantar, o guia dos sábios perguntou ao convidado de onde ele era e o que fazia tão longe de qualquer estabelecimento. O viajante respondeu que estava em busca de conhecimento, contou que vinha de terras e tempos distantes.

Um dos homens abençoados riu do viajante, chamou-o de louco. O outro homem abençoado amaldiçoou o viajante, chamou-o de herege por seus alegados poderes e por sua ignorância do verdadeiro conhecimento, que chega aos mortais apenas por meio de Deus através dos escribas.

O líder, porém, permaneceu sereno. Ele não caçoou o amaldiçoou o homem misterioso. Ao invés disso, respondeu com paciência todas as perguntas que o viajante fez.

Respondeu sobre o monastério, sobre a vida nas comunas e nos pequenos burgos. Por fim, falou sobre a arquitetura das catedrais e sobre a crença dos homens em Cristo.

O viajante misterioso escutou tudo com atenção, para a surpresa de todos ali. Depois, despediu-se cordialmente e seguiu seu caminho em direção ao norte.

O líder então disse aos dois outros homens abençoados:

“Não vale a pena caçoar ou maldizer o estrangeiro. Ao conhecerem alguém, mantenham o coração humilde. Só é possível ensinar quando se escuta. Não sabemos de onde ele vem ou no que ele crê, mas se carregamos conosco a verdade, tenhamos confiança o suficiente para ficarmos serenos e assim plantar a semente da esperança no coração do outro’’

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Temos o registro escrito mais antigo do viajante - mais uma vez é uma prova que vai além da possibilidade de mera coincidência. O termo viagem no tempo nunca aparece em literatura medieval, o que leva a crer que isso é um caso único. Para mim, o mais interessante é que o viajante parece estar lá na Idade Média a motivo de pesquisa: ele questiona os sábios sobre o estilo de vida do local. É a primeira vez que é possível inferir sobre os motivos dele…

Mesmo assim, ainda é uma das evidências mais misteriosas até agora. Acho que preciso de mais informações sobre esse documento medieval. Como exatamente o Sr. T conseguiu? Onde posso começar a procurar mais pistas desse calibre? Vou mandar um email para ele pedindo mais conversas sobre isso.

Com o tempo, chegarei na carta do Hawking. No próximo post vou analisar uma pintura medieval que ilustra esse mesmo conto. Obrigado pela paciência.


-L. B. Wells